Quando eu era adolescente chegou na minha casa, não me membro bem como, um Nintendo de primeira geração. Ele era já um pouco antiquado, as imagens saiam em preto e branco porque ele não havia sido preparado para o sistema de TV brasileiro, mas era bem divertido. Na parte de baixo dele havia uma conexão preparada para receber algo. Isso sempre me deixou curioso para saber o que era aquilo. Já no final da década de 90, soube que aquilo era uma visionária conexão para um modem, e para um teclado. Quando o console foi desenhado nos anos 80 elas já haviam previsto o gigantismo do e-commerce, só que chegaram um pouco antes do resto da infraestrutura acontecer. Ainda faltava a cultura do comércio, os vendedores e também como entregar.

Em 1998, eu comecei a montar uma empresa que buscava integrar vendedores e compradores on-line, era uma idéia ousada que recebeu investimento pessoal de alguns investidores anjo e estava caminhando em um cenário ainda em desenvolvimento. Eu era apaixonado pela idéia de como as pessoas podiam querer seus produtos e como recebê-los. Perguntas explodiam na minha cabeça, tipo: porque as pessoas esperarão para receber algo que podem ir no Shopping e comprar? O que a venda eletrônica tem de diferente nas vendas por catálogo, já tão famosas nos Estados Unidos a tanto tempo?

Meu interesse era majoritariamente ligado à infraestrutura de telecomunicação e dados, mas aos poucos fui descobrindo que o maior problema era muito mais a logística do que a tecnologia. Enquanto era fácil copiar dados e idéias comerciais da Europa e EUA, ainda estávamos e estamos (quase 20 anos depois) amarrados a mesma infraestrutura física.

Aprofundando minha visão sobre e-commerce

Uma visita em especial foi o divisor de águas na minha vida. Contatei o grupo que vendia on-line as camisas do Projeto Tamar, que há 35 anos faz um importante trabalho de conservação ambiental. Eles foram super abertos e me ajudaram muito na pesquisa. Em pouco mais de 4 horas de conversa percebi duas coisas, uma que o sistema de faturamento por cartão ia ser o futuro como é hoje. E o segundo é que os Correios eram uma pedra no sapato. Todos os dias de tarde uma pessoa do projeto imprimia em etiquetas simples, o nome dos destinatários, separava a mercadoria e ia até a agência dos Correios despachar. Dali em diante ninguém sabia bem quando a mercadoria chegaria ao cliente. O preço do frete era astronômico chegando às vezes a valores próximos das camisas. Isso me fez entender que o mundo das oportunidades para mim seria a logística, que ali havia muito o que fazer.

Já que havia entendido o problema, fui buscar a solução. Naquela época três gigantes da Logística de cargas fracionada1 se juntaram para competir diretamente com o serviço de SEDEX do correio. Eram as transporte Araçatuba, Mercúrio e Americana, as duas primeiras foram adquiridas pela TNT-Fedex, multinacional do transporte e integração logística. Como a malha de cobertura das três alcançava todo o país eles se posicionaram como a mais forte alternativa para entregas parceladas. Foi a primeira vez que estive dentro de um armazém cross-docking e achei aquilo tudo muito legal.


1 Carga fracionada é aquela que não ocupa todo o caminhão e vai em conjunto com carga de outros embarcadores.